sábado, 24 de maio de 2008

THE BEATLES

Sempre fui fã dos Beatles. De todos, sem distinção. Gostava de ouvir suas baladas açucaradas que transportavam um tipo de delícia de viver que até me fazia projetar o futuro, imaginar que as coisas, embora difíceis, poderiam ser melhores. Não entendia nada das letras, mas para quê entender se o que me interessava era a emoção que as músicas me transmitiam e tornavam o mundo, que estranho dizer isto hoje, mais bonito. Digo estranho porque naquele tempo tudo conspirava para que a vida fosse uma queda morro abaixo, sem escalas, pois vivíamos na dita dura ditadura que embora não compreendesse muito bem o que era, sentia na pele e no ar suas famigeradas conseqüências. Mas o que têm a ver Beatles com o que estou falando? Ora, tudo a ver. Primeiro porque aquele era meu mundo, cheio de conflitos, guerras, greves, protestos, músicos engajados tentando soprar para fora um pouco de seu inconformismo. Era a base de minha história que depois de tudo eu poderia contar e fazer meus descendentes entenderem como se podia ser feliz sem ter quase nada, apenas, a música dos Beatles. Hoje quando ouço, novamente, aquelas músicas me vem uma nostalgia acompanhada de indignação, pois constato que não foram só os Beatles que passaram por mim, mas todo um momento de sonhos e reflexões. Alteraram-se todas as perspectivas; tantos sonhos não realizados deixaram uma marca que dá a impressão que estou vivendo em outro lugar. Fico pensando que, em menos de 40 (quarenta) anos, mudaram tantas coisas, para pior que a pseudo-evolução do homem parece ter chegado a um ponto em que não pode ir além e a tendência é voltar à idade média, onde quem tinha o poder era senhor da vida e da morte. Hoje, não existe algo que me inspire e me faça sonhar, pois vivo preocupado com a minha segurança e a segurança dos que me são caros, matando um rinoceronte por dia para conseguir cumprir com minhas obrigações e olhando a pequena luz no fim do túnel que pode ser um trem, em sentido contrário. O consolo que me sobra é que a música dos Beatles vai continuar existindo, pelo menos para que eu recorde que um dia tive uma visão do futuro que só eu poderia ter, mesmo que tal futuro tenha ficado tão distante que mal consigo visualizar.

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