Alguém que se arvore a definir a arte deve, primeiro, ser artista? Não. Deve ser humano. Porque a arte é tudo. É plástica, é música, é poesia, é a voz, é a vida. A arte é a dança que é a mãe de todas as artes porque, sozinha, traz a arte em si. Um riso, um choro de criança, um aperto de mão, uma piada. Ora, meu irmão, a arte é e para quê ser mais do que, simplesmente, ser? Aquela reunião de amigos que nunca acontece. Aquela vontade de dizer o que nunca se diz. Um olhar, tantas vezes escondido que quer portas aberta para um carinho; aquele não que quer dizer sim.
Vamos começar de novo. No início não havia arte porque foi necessário um projeto, um pensar o mundo. e era tudo tão prático, tão real que não havia espaço para sonho - sonho foi inventado muito depois. Tudo deveria ser funcional, ter utilidade definida. Para quê serve o homem? Para quê serve a mulher? Quanto tempo terá a vida? A água deve ser molhada? O fogo deve queimar? Inúmeras perguntas tiveram que ser respondidas até que se chegasse a um regulamento definitivo sobre o comportamento do mundo e seus habitantes. Por isso, a coisa não foi tão simples, como se imagina. Quando se chegou a um denominador comum a rrespeito de cada função, cada atividade, definindo-se os por quês, começou outro problema. Quem vai nos divertir? Quem vai nos ouvir? Para quem vamos criar? E, principalmente, para quê vamos sonhar? Ora, sonhar é como ter esperança. É como antever a vida que desejamos ter se nada der errado, porque se der errado não fez parte de nosso sonho. Então surgiu a arte. Arte não é resposta específica para nenhuma destas perguntas, mas é, ao mesmo tempo, resposta para todas porque tudo resume, tudo assume, tudo consome e assim como aparece, some e começa tudo outra vez. Isto é arte.
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